Porque é que o CBD não provoca um efeito «high»
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O CBD é muitas vezes associado, erradamente, aos efeitos euforizantes da cannabis. Esta confusão gera muitas dúvidas entre os consumidores. No entanto, o canabidiol não provoca qualquer sensação de “euforia”. Perceber porquê permite distinguir claramente o CBD das substâncias euforizantes e encarar a sua utilização com tranquilidade. Vamos descobrir em conjunto.
Índice
O efeito de “euforia” geralmente associado à cannabis deve-se principalmente ao THC que contém. Este canabinoide é classificado como psicotrópico, pois provoca alterações acentuadas na perceção, no humor e no estado de consciência.
O THC atua ligando-se diretamente aos recetores CB1 do sistema endocanabinoide, muito presentes no cérebro. Esta interação provoca uma estimulação intensa de determinadas zonas do cérebro envolvidas na sensação de prazer, na perceção sensorial e na memória. É este mecanismo que explica os efeitos euforizantes e, por vezes, desorientadores associados ao consumo de cannabis com elevado teor de THC.
Estes efeitos psicotrópicos estão também na origem das restrições legais relativas ao THC, pois podem afetar as capacidades cognitivas, a coordenação e o discernimento.
O CBD também é um canabinoide proveniente do cânhamo, mas o seu modo de ação é fundamentalmente diferente. Ao contrário do THC, o CBD não ativa diretamente os recetores CB1 responsáveis pelos efeitos psicotrópicos.
Importa esclarecer que o CBD é psicoativo em termos científicos, uma vez que atua no sistema nervoso central. No entanto, não é psicotrópico, pois não provoca euforia, alteração do estado de consciência nem mudanças na perceção sensorial.
Esta distinção é, por isso, muito importante. O CBD influencia o estado mental de forma suave e reguladora, sem provocar uma “subida”, perda de controlo ou sensação de estar a flutuar. É precisamente por não ter qualquer efeito psicotrópico que o CBD não provoca uma sensação de “euforia”.
O sistema endocanabinoide é uma rede complexa de recetores, neurotransmissores e enzimas naturalmente presentes no corpo humano. Desempenha um papel central na regulação de inúmeras funções fisiológicas, como o stress, o sono, o humor, o apetite e a dor.
Os recetores CB1, localizados maioritariamente no cérebro, estão envolvidos na modulação da atividade neuronal. Quando são fortemente estimulados, como acontece com o THC, provocam efeitos psicotrópicos acentuados. O CBD, pelo contrário, não ativa estes recetores diretamente.
Em vez disso, o canabidiol atua noutras vias de regulação, contribuindo assim para oequilíbrio global do sistema sem provocar alterações da perceção ou do estado de consciência.
O CBD é frequentemente descrito como um modulador do sistema
endocanabinoide. Isto significa que ajuda o organismo a ajustar determinadas respostas biológicas excessivas ou insuficientes, em vez de as estimular de forma abrupta.
Esta ação moduladora explica por que motivo o CBD está associado a efeitos como a tranquilidade, o relaxamento ou a sensação de bem-estar, sem provocar uma sensação de euforia. Ao contrário das substâncias psicotrópicas, não provoca um pico químico no cérebro.
Graças a esta característica, o CBD pode ser consumido sem afetar o estado de alerta, a concentração ou as capacidades cognitivas. INão provoca alterações do estado de consciência, o que o distingue claramente das substâncias responsáveis por um efeito «high».
Outro elemento essencial para compreender por que motivo o CBD não provoca um efeito «high» está na sua interação com o THC. Quando estão presentes em simultâneo, o CBD pode influenciar a forma como o THC atua no cérebro.
O canabidiol é conhecido por limitar alguns efeitos indesejáveis do THC, nomeadamente a ansiedade, o nervosismo ou a sensação de sobre-estimulação. Poderá reduzir a ligação excessiva do THC aos recetores CB1, atenuando assim a intensidade do efeito psicotrópico.
A legalidade do CBD assenta precisamente nesta distinção entre psicoativo e psicotrópico. Uma substância pode atuar no cérebro sem alterar a consciência nem provocar um estado de euforia.
O CBD não provoca dependência, perda de controlo nem alterações percetíveis das funções cognitivas. Também não causa perturbações motoras ou sensoriais, o que explica por que razão não é classificado como estupefaciente.
A legislação europeia permite, assim, a comercialização de produtos de CBD, desde que o teor de THC respeite os limites legais. Este reconhecimento baseia-se em critérios científicos rigorosos, relacionados com a ausência de efeitos psicotrópicos.
O O CBD pode, por isso, ser utilizado pelos seus benefícios numa abordagem de bem-estar, sem receio de ficar eufórico, perder a lucidez ou ver as suas capacidades mentais alteradas. Esta característica é uma das suas principais vantagens para um público amplo e diversificado.
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